Texto: O Manifesto Bissexual

Aviso de conteúdo: monossexismo, concepção moralista sobre “promiscuidade”, mononormatividade.

Tradução minha do texto “O Manifesto Bissexual”.

Nós estamos cansades de sermos analisades, definides e representades por outras pessoas que não nós mesmes, ou pior ainda, não considerades em absoluto. Nós somos frustrades pelo isolamento imposto e pela invisibilidade que vêm de nos dizerem ou esperarem que escolhemos ou uma identidade homossexual ou heterossexual.

Monossexualidade é um ditame heterossexista usado para oprimir homossexuais e para negar a validade da bissexualidade.

Bissexualidade é toda uma identidade fluida. Não presuma que bissexualidade seja binária ou duogâmica por natureza: que temos “dois” lados ou que devemos nos envolver simultaneamente com ambos os gêneros para sermos seres humanos completos. De fato, não presuma que só existem dois gêneros. Não confunda nossa fluidez com confusão, irresponsabilidade, ou incapacidade de ter compromisso. Não iguale promiscuidade, infidelidade, ou comportamento sexual inseguro com bissexualidade. Esses são traços humanos que cruzam todas as orientações sexuais. Nada deveria ser presumido sobre a sexualidade de qualquer ume, incluindo a sua.

Nós nos zangamos com aquelus que se recusam a aceitar nossa existência; nossas questões; nossas contribuições; nossas alianças; nossa voz. É hora de a voz bissexual ser ouvida.

O texto foi publicado em 1990 numa revista da época direcionada ao público bissexual, a Anything That Moves (tradução: “Qualquer Coisa Que Se Mova”).

Percebe-se que o ativismo bi já encontrava suas dificuldades desde essa década, e que monossexismo já se manifestava desde sempre junto com moralismos e a estigmatização da não-monogamia .

Curiosidade: encontrei que “duogamia” se refere a quando uma pessoa bi tem simultaneamente dues parceires, homem e mulher.

Desde essa publicação instaurou-se oficialmente bi como um termo guarda-chuva para toda forma de atração por mais de um gênero, e ainda abrindo espaço para o uso de outros rótulos. Essa definição ampla esteve sendo resgatada por pessoas e grupos bi/multi engajades num ativismo mais inclusivo e unificador, visto que o senso comum e muitas fontes ainda espalham que bi é apenas atração exclusiva pelos gêneros binários.

Em meio a tantas brigas internas (como bi v.s. pan) e muitos discursos de policiamento e segregação, devemos resgatar essa consciência, pregada pela comunidade bi em seus primórdios, e promover acolhimento e empoderamento mútuos de todas as pessoas multi. Olhar para trás e saber a história da comunidade é uma forma de fazer isso. E por isso compartilhei esse registro histórico da comunidade bi, que desde sempre abriu espaço para muitas identidades e expressões e considerou a existência de gêneros não-binários.

Lembrando que esse mês, setembro, é o mês da visibilidade bi. Então nada mais apropriado do que contar uma parte da história da comunidade.

(Descrição de imagem: a bandeira de orgulho bi. Uma bandeira de três faixas horizontais, duas grandes e uma mais fina entre elas. De cima para baixo, as cores são magenta, roxa e azul. Fim da descrição.)

Referências bibliográficas (em inglês):

https://bialogue-group.tumblr.com/post/17532147836/atm1990-bisexualmanifesto

https://muse.jhu.edu/article/575374/summary

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