O sexo: biológico ou construção social?

Aviso de conteúdo: diadismo, cissexismo, colonialismo, menções a genitálias e órgãos reprodutivos, terminologias obsoletas, links externos.

Entendo se a pergunta parecer absurda. Quando se fala no sexo ser uma construção social, o que muita gente pode entender é que está se afirmando que os órgãos e as funções reprodutives/sexuais são uma invenção, ou são irreais, apenas uma ideia abstrata. Ninguém está afirmando isso. Muito menos negando as possíveis realidades trazidas pelas possíveis corporalidades. O que está se questionando são atributos, valores e viés com os quais tratamos o sexo. O texto é sobre isso.

Uma breve história do sexo e do gênero

Antes de tudo, acho interessante e necessário fazer uma revisão histórica muito resumida sobre como a humanidade lidou com o sexo até chegar aos dias atuais, até existir a concepção de “sexo biológico”.

Diversas culturas e sociedades ao longo da história tiveram suas próprias concepções de sexo-gênero. Em tempos mais remotos, em culturas matriarcais, entendia-se como divina e sagrada a capacidade de pessoas com útero de gerar vida. Outras culturas tiveram suas próprias categorias ou identidades de gênero para indivíduos eunucos, intersexo, ou que não aceitavam os papéis sociais esperados, como no caso de pessoas Sekhet, Tumtum e Burrnesha. Mesmo havendo questões complicadas em torno disso, esses são apenas exemplos de como sexo nunca foi interpretado apenas como uma realidade biológica sem influências sociais e culturais. Até mais da metade do século 18, a reprodução não havia sido compreendida como é atualmente, passando por diversas hipóteses e crenças (também enviesadas por gênero) que foram rompidas pela ciência.

A Grécia Antiga se destacou pelo modelo de sexo-único, que acreditava basicamente que o “sexo masculino” era mais desenvolvido enquanto o “sexo feminino” era uma versão inferior, invertida desse outro. E tal perspectiva moldou a forma como mulheres cis e a feminilidade eram tratades nesse período: numa posição de passividade, fraqueza, submissão, etc.

E então, no final do século 18, criou-se o modelo de dismorfismo sexual que temos até os dias atuais, que colocava dois sexos diferentes e distintos, nascidos para se complementarem, colocados em realidades “naturais” próprias e justificadas pela ciência, pela região, pela moral, e outras concepções construídas ao longo dos anos e das épocas. Expectativas de virilidade e de qualidades como racionalidade e inteligência surgiram para “os homens”, enquanto a maternidade e a reprodução eram o destino e o ideal para “as mulheres”.

As concepções atuais, embora ainda em disputas e com cargas do passado, elaboraram melhor sobre a extensão do sexo. Podemos separar o sexo em quatro fatores principais:

  • genéticos – cromossomos e genes,
  • gonadais (testículos, ovários, etc),
  • genitais (pênis, vulva, etc),
  • e hormonais – suas atividades e os efeitos esperados (que formam as chamadas características secundárias, como barba e tamanho dos seios).

Quando o assunto é “os sexos”, o imaginário coletivo costuma pensar a mesma coisa que é vista nos livros de biologia: dois corpos brancos, magros, padronizados. Nem focarei a questão nos corpos transicionados. Pergunta: quantos corpos negros, gordos, mais diferenciados são mostrados, ilustrados, tidos como referências? Não é por um acaso que esses corpos não aparecem, pois nossas concepções de sexo vêm de uma base eurocêntrica. A diversidade de corpos está atualmente promovendo essa nova disputa, que é questionar e reformular essa sistematização vigente do sexo, que dita que só existem dois sexos legítimos e naturais.

O gênero e os órgãos reprodutivos

Essas duas categorias absolutas de sexo que então predeterminam um gênero são colocadas a nós como realidades. E, sendo realidades, são inquestionáveis, são para a vida toda, são parte do que somos e jamais poderemos mudar. Tudo isso começa com uma simples genitália de ume bebê, ou do que é identificado num ultrassom.

Várias e várias vezes pessoas cis reafirmam seus gêneros com base na genitália (principalmente) (que, para elas, resume a totalidade de seus sexos). Isso é mais presente em homens. Mulheres podem incluir nisso seus ovários e útero. Pois bem, aí temos uma imensa brecha que demonstra a fragilidade do sistema binário de sexo-gênero, visto que essas partes corporais podem sofrer efeitos irreversíveis, como perda ou “inutilização”. Se um homem perder o pênis num acidente, ele deixará de ser homem? Quando a mulher já não menstrua e nem reproduz mais, ela deixa de ser mulher? Centralizar os gêneros nessas partes corporais, portanto, é inviável.

Quando o assunto não envolve pessoas cisdissidentes, e pessoas cis são questionadas sobre seus gêneros, incrivelmente, elas costumam se reafirmar com respostas subjetivas, mesmo que muitas se baseiem em estereótipos e papéis de gênero. Nesses momentos, ninguém se lembra da tal “realidade” do sexo. E ela também não é lembrada quando estamos falando de máquinas, inteligências artificiais, e personagens de obras fictícias. O robô Sophia foi reconhecido como uma cidadã, e é tratado o tempo todo como mulher, mesmo não tendo nada de orgânico dentro dele. Siri é tratada sempre com linguagem associada ao gênero mulher, apesar da mesma declarar por si própria que não é mulher e gênero não se aplica a ela. As Gems da franquia Steven Universo, embora utilizem como padrão a linguagem a/ela/a e possuem formas geralmente associadas com o que se entende por feminino, são entendidas como mulheres, apesar de serem aliens sem sexo/gênero e mesmo podendo adotar qualquer forma e linguagem. Esses são exemplos de que gênero é (de)marcado também quando conveniente mesmo quando não há um sexo presente. Não é sobre sexo, ou apenas sobre sexo.

A simplificação do sexo

Os termos “sexo masculino” e “sexo feminino” já nem têm uma lógica, pois não faz sentido chamarmos coisas objetivas por coisas subjetivas. Os sexos estão ali, sendo o que são. O que os torna masculinos ou femininos? Como podemos chamar os sexos de ideias que mudam de tempos em tempos e de cultura em cultura? E como poderíamos ainda utilizar tais palavras enquanto as desvinculamos dos arquétipos de homem e mulher?

Tirando essas abstrações, mesmo corpos que se encaixam nos ideais dos “sexos típicos” (os perissexos) são muito variados entre si. O sexo não é um fator infalível que “denuncia o gênero” das pessoas sob toda e qualquer circunstância. Corpos marcados como “femininos” que são esguios e com seios pequenos podem bagunçar percepções sociais. Corpos marcados como “masculinos” que são gordos e desenvolvem seios rompem com a expectativa de um corpo de peito reto. Pode ser difícil assimilar essas variedades porque vivemos numa sociedade muito marcada por gênero através de roupas e comportamentos. Pode ser também que vivemos numa bolha onde corpos que se encaixam nos ideais cisnormativos são predominantes, o que torna a perspectiva mais enviesada. Porém, corpos são diversos, e portanto não se encaixam perfeitamente em duas categorias tão estritas com características que podem ser presumidas e que são esperadas.

Como também foi mencionado, existem quatro fatores principais que moldam o sexo das pessoas, e tais fatores, além de amplos, também oferecem combinações variadas entre si. Por isso temos tantas variações mesmo que das genitálias típicas, de tamanhos de seios, de distribuição e quantidade de pelos, enfim. E no meio dessa diversidade toda, saindo do que ainda é considerado comum, temos a intersexualidade, que logo será abordada.

Então o que sobrou até aqui são os usos dos termos “macho” e “fêmea”, pois parecem ser os únicos que faz algum sentido usar, ou que podem ser viáveis para se referir a tipos sexuais. Hm, bem, não exatamente. Esses termos perdem totalmente o sentido com corpos que fizeram procedimentos hormonais e/ou cirúrgicos, ainda mais corpos uma grande “passabilidade” como de “outro sexo”. Vou elaborar mais no próximo tópico.

Intersexualidade: sexo enquanto espectro

Com as concepções vigentes de sexo, vieram também as concepções de sexos normais e sexos anormais, defeituosos, de anomalias, de distúrbios. O que entendemos por intersexualidade não é uma novidade, e já esteve presente em outras culturas. Porém, a patologização da intersexualidade é um tanto recente. É um assunto tão apagado que quase ninguém aprende sobre ele, seja numa escola, seja trabalhando numa área da saúde. Muita gente pode até ter tido contato com o termo “hermafrodita”, mas o que se entende é “alguém com pênis e vagina”, ou “alguém com ambos os sexos” (que quase sempre se resume às genitálias típicas). E várias mentiras continuam sendo espalhadas, principalmente que pessoas intersexo são estéreis e frequentemente doentes.

A pauta intersexo está avançando, e está desmentindo décadas de falácias e invenções sobre intersexualidade. O que o movimento intersexo internacional esteve defendendo é a validação dos corpos intersexo, o que fez com que váries cientistas revisassem as concepções de sexo. E então chegamos a uma nova perspectiva que esteve ganhando cada vez mais força: sexo é um espectro. Nos deparamos então com inúmeras combinações de cromossomos, órgãos e atividades hormonais que revelaram o quanto o sexo é complexo, e que essa complexidade está presente em muito mais do que uma minoria estimada da população.

Cromossomos foram por muito tempo presumidos por meio das genitálias típicas. Considerando que a maioria das pessoas sequer conferiu seus cromossomos, é muito possível que haja mais pessoas com variância cromossômica do que se estima. A mesma coisa vale para órgãos internos e fenômenos como o mosaicismo.

Apesar disso tudo, a intersexualidade ainda não rompe com os ideais de “macho” e “fêmea”, que se entende como os sexos “típicos”. Há pessoas que até argumentam que a intersexualidade confirma a realidade dos sexos típicos. E há pessoas que, ainda apegadas aos ideais binários, defendem que o sexo é um “espectro de machos e fêmeas”, o que parece ser algo um pouco mais amplo que duas categorias estritas. Porém… se apegar ao “macho” e à “fêmea” ainda cai em contradições e paradigmas que precisam ser rompides. O sexo é fundamentado na reprodução, e com a reprodução vêm atrelados arquétipos sociais. O que seria um macho ou uma fêmea que não reproduz? A ideia de macho ainda faz sentido num corpo com pênis mas esguio e delicado? A ideia de fêmea ainda faz sentido num corpo com vulva mas grande e atlético? Vamos agora criar uma nova hierarquia, com machos típicos e atípicos e fêmeas típicas e atípicas? Entende aonde quero chegar? Se tirarmos a necessidade de reprodução e toda generificação, o que sobra para o macho e a fêmea? E vale relembrar que corpos transicionados já saem de qualquer lógica desses ideais também. Ampliar macho e fêmea é uma enorme perda de tempo. Precisamos tratar esses ideais como ultrapassados e inúteis. O macho já causou muito estrago. E o futuro não será da fêmea.

Mas e a reprodução? E as diferenças biológicas?

A reprodução ocorre tipicamente com a fusão de dois gametas, um espermatozoide e um óvulo, o que tradicionalmente necessita de dois sexos complementares. Ponto. Esses sexos complementares podem ser dois perissexos, um perissexo e um intersexo, ou dois intersexos (lembrando que nem toda pessoa perissexo é fértil e nem toda pessoa intersexo é infértil). Com o uso de tecnologia, essa reprodução pode ocorrer sem uma relação sexual, com a fertilização de um óvulo por inseminação artificial. Aliás, a tecnologia já está tendo resultados com processos que criam gametas a partir de outras células. Talvez, futuramente, teremos gestações completas in vitro ou mesmo partenogênese na espécie humana.

Como foi dito antes, o sexo é fundamentado na reprodução da espécie, e assim foi por muito tempo pela religião e pela ciência. E os papeis reprodutivos posicionaram as pessoas em locais diferentes em várias sociedades. Como se o papel de determinado corpo na reprodução devesse determinar a ele valores, atribuições, comportamentos, e expectativas. Tudo isso são construções sociais. Até mesmo o modo como se lida com os possíveis papeis dos corpos na reprodução. É evidente a diferença entre um corpo que insemina e um corpo que gera. Porém, nem esses e nem aqueles que não possuem nenhuma capacidade ou mesmo vontade de reproduzir devem ser reduzidos a isso. Pessoas são muito mais que um papel reprodutivo.

A espécie continuará reproduzindo como sempre fez, se for essa a grande preocupação. Mais importante que isso é tornar a reprodução um processo absolutamente ético, sem pressões sociais, ou idealizações, ou expectativas, que parta de decisões tomadas individualmente (por quem que vai gerar), ou, se forem coletivamente (por quem vai gerar e ume parceire, um grupo, ou uma comunidade), que a pessoa que for gerar tenha o controle total de seu corpo e a plena consciência de concordar e vivenciar o processo. E torcemos para a evolução dos processos in vitro, para que assim os corpos também possam escolher não vivenciar toda uma gestação.

A ideia comum de reprodução acompanha várias outras ideias vinculadas a gênero. E tudo isso está sendo reapropriado e ressignificado por corpos dissidentes. A menstruação é até hoje considerada um “signo feminino”, parte do que faz mulher ser mulher. Agora, isso está sendo questionado. Não apenas da perspectiva de mulheres cis, que estão se colocando como muito mais que corpos que menstruam, e que estão evidenciando a vivência de mulheres que não menstruam. As perspectivas de corpos que não são cis ou perissexo estão conquistando espaço, mostrando que menstruação pode ser masculina para algumes homens trans, pode ser não-binária para algumas pessoas fora do binário, pode ser apenas uma característica tão relevante quanto tamanho e cor de olhos e cabelos para algumas pessoas de qualquer identidade de gênero, entre outras possibilidades. A mesma coisa está acontecendo com maternidade, paternidade, com os corpos que produzem esperma, enfim.

Por fim, entendo que o que foi trazido até aqui também pode entrar em conflito com os estudos neurológicos de sexo/gênero. Vários estudos indicam que existem diferenças estruturais significativas entre cérebros de corpos predominados por testosterona e corpos predominados por estrogênio. Outros indicam que determinados cérebros até predispõem preferências por certos signos sociais, como brinquedos e roupas. Espero que haja mais estudos sobre o cérebro, com metodologias variadas, feitos também por pessoas dissidentes. Não duvido que possa haver diferenças estruturais de nascença. De novo, as diferenças biológicas podem existir e existem. A questão maior é como lidamos com essas diferenças quando inseridas numa sociedade com hierarquias formadas em torno de um sistema de sexo-gênero. Novos estudos indicam que cérebros podem ter noções de sexo/gênero mais flexíveis. E, em todo caso, estudos “indicando” que cérebros podem predispor pessoas a se adequar a estereótipos de gênero já se mostram tendenciosos no momento em que estereótipos são puramente construções sociais. Como seria um cérebro “predisposto” a gostar de carrinhos ou de saias numa sociedade onde essas coisas nem existem? São nuances como essa que tais estudos deveriam começar a considerar melhor.

Fazendo nossos sexos

Afinal, a quem a desconstrução do “sexo biológico” realmente ameaça? A única ameaça real é somente contra aquelus que estão em posições de poder na hierarquia de sexo-gênero. Contudo, muitas pessoas, mesmo quando em posições menores na hierarquia, ainda terão resistência com isso, pois elas estão muito imersas numa realidade feita por falsas verdades afirmadas e reafirmadas constantemente. O sexo, mesmo hierárquico, também é feito no discurso. Esta aí a importância de se apropriar e mudar o discurso.

Estamos presenciando o surgimento e a visibilização de paus de travesti, bigodes neutros, peitos transmásculos, úteros sem gênero, neovulvas transxeninas, e, com o avanço da tecnologia, poderemos ter uma diversidade de corpos físicos que ainda não é possível. Mas não apenas a tecnologia faz o sexo. Nossos discursos também fazem o sexo. Precisamos agora caminhar para retomar o sexo, e darmos aos nossos sexos nossos próprios sentidos em vez de deixar um sistema falido continuar fazendo isso por nós. É essa libertação que precisamos, que só teremos depois de jogar no lixo o binário de sexo/gênero e todos seus subprodutos (incluindo o macho e a fêmea).

É necessário descolonizar o sexo, para então personalizar o sexo, e então customizar o sexo como podemos e queremos.

Enfim, nossa concepção de sexo precisa ser revista e atualizada, pois continuar tratando-o como um binário estrito, uma realidade biológica inquestionável e atemporal, e algo apenas material existindo fora de influências sociais e culturais não é mais viável, além de ser anticientífico e limitante demais.

Links adicionais:

Ume Garote Altermative – O sexo biológico

Transfeminismo – Mulheres Trans Também São Mulheres Biológicas

Medium – Texto: Sexo não é cromossomos: a história de um século de ideias erradas sobre X e Y

AzMina – “Não é só o gênero que é socialmente construído, o sexo biológico também”

YouTube – Make Science BR | Sexo Biológico versus Identidade de Gênero (Parte 1)

YouTube – SciShow | Existem Mais Do Que Dois Sexos Humanos (em inglês, mas tem legendas automáticas em pt-br)

YouTube – Riley J. Dennis | Macho e fêmea são bináries, mas as pessoas não são (em inglês, mas tem legendas automáticas em pt-br)

YouTube – TED: A estranha história dos “cromossomos sexuais” | Molly Webster (em inglês, mas tem legendas em pt-br)

Visualizando Sexo como um Espectro (em inglês)

O corpo e a construção das desigualdades de gênero pela ciência (AC: cissexismo) (artigo científico para baixar)

Indeterminade

Um grande texto sobre termos, expressões, atitudes e conceitos capacitistas

Aviso de conteúdo: listagem e menções de muitas terminologias, ideias e ações capacitistas em todos os graus.

Capacitismo engloba toda opressão e discriminação cometidas contra pessoas com deficiência (PCDs) e neurodivergentes (NDs). Esses dois grupos têm um longo histórico de serem associados com características negativas – e isso está muito bem expresso na quantidade de palavras que usamos para xingar ou descrever coisas ridículas, absurdas, etc.

Quando se fala em palavras, sempre há pessoas para protestar, mostrando resistência em rever seu vocabulário. Porém, não podemos ignorar que a grande maioria das palavras usadas constantemente para atacar e criticar tem algum viés capacitista.

Ressignificação – que é dar um valor positivo à palavra, e não apenas retirar sua conotação negativa por conveniência – é um ato válido. Mas aqui só pessoas com deficiência e neurodivergentes poderiam ressignificar alguma coisa. Falando por experiência, só vi gente neurotípica ou que aparentemente não se afeta com essa questão defendendo a continuação do uso de vocabulários capacitistas, o que me parece mais uma desculpa para não largar um hábito.

Esse texto, como o próprio título diz, tem a intenção de apontar termos, expressões e atitudes que cometem e reforçam capacitismo num geral. Aqui explico o motivo do por que cada coisa listada tem um viés capacitista, e também sugiro alternativas melhores. Não quero me ater ao que é mais grave ou mais leve, e acredito que as explicações podem deixar isso evidente. Meu foco aqui é no capacitismo em si apenas.

Ressalto que não estou dizendo que pessoas que dizem e fazem essas coisas são ruins, pois tudo isso é naturalizado e capacitismo não é nada discutido na sociedade. Agora, no momento em que lerem o conteúdo daqui, não haverá mais a desculpa da ignorância. Fica na consciência de cada ume.

  • Termos

A maioria dos termos capacitistas define estados ou condições referentes à saúde mental ou desenvolvimento das funções mentais.

As palavras louque e insane, assim como os sinônimos maluque e doide, foram desde sempre palavras usadas para descrever pessoas com pensamentos ilógicos, perturbações, ou sofrendo de delírios e alucinações. Psicose é um termo médico e mais preciso. Portanto nenhuma dessas palavras é recomendada.

E aqui já aproveito para não recomendar delírio/delirante ou alucinação/alucinante como descritores de situações incomuns, extraordinárias, e similares. Condições clínicas não descrevem a realidade ou improbabilidades.

Lunátique é algo usado para falar de alguém que divaga, que sai da realidade, que fica fantasiando ou “sonhando acordade”. Essas situações remetem facilmente a alucinações e delírios, e também a devaneios excessivos, assim como atitudes presentes em casos de esquizofrenia, mania, e depressão psicótica.

Casos de oligofrenia, que é um termo amplo que caracteriza graus diferentes de dificuldades cognitivas e intelectuais, são também usados como ofensas frequentes; o que inclui: débil, imbecil, idiota, e retardade. Constantemente estúpide é usado como sinônimo dessas palavras. Outra palavra que pode ser citada aqui é babaca, que também tem sua origem como um termo vulgar para a genitália vaginal.

Cretine descreve a condição de cretinismo, que é a baixa atividade congênita da tireoide. Esse hipotireoidismo interfere no desenvolvimento físico e mental da pessoa.

Maníaque define alguém num estado de humor extremamente elevado (seja eufórico ou irritável), não qualquer criminose, perseguidore, etc. Assim como a mania não é apenas um comportamento repetitivo.

Mongol não é apenas capacitista, como também é racista. Primeiro, por se referir a pessoas da Mongólia num contexto de depreciação, não de etnia. Segundo, por ter sido usado para associar características físicas de pessoas com síndrome de Down a etnias do leste asiático e ameríndias, que, dentro de um pensamento eugenista, colocava todos esses grupos como uma raça inferior. Mongol pode ser usado para se referir a pessoas da etnia e só.

Histérique não é apenas capacitista, como também é misógino. A histeria foi fundada na ideia de que mulheres que não aceitavam os papeis sociais impostos (portanto, sua “condição de mulher”) sofriam desse distúrbio – pois, hipoteticamente, tinha alguma relação com o útero. Isso inclui reações de insatisfação e revolta, vistas como “excesso de emoção”.

Demente é a condição daquelu que desenvolve diminuição da capacidade de raciocínio e memória, algo que pode ocorrer na fase de velhice ou por causa de doenças neurológicas degenerativas.

Anencéfale é um bebê com subdesenvolvimento do cérebro e do crânio. Além do capacitismo, é muito insensível usar de uma condição que resulta em morte de bebês.

E claro que tudo isso também se aplica aos substantivos derivados desses adjetivos: loucura, insanidade, maluquice, doideira, idiotice, imbecilidade, estupidez, etc. E outras derivações óbvias ou que remetem a outros estigmas, como as terminações -tardade, -loide, -pata.

Algumas palavras capacitistas que se referem a condições físicas costumam remeter a coisas incompletas, imperfeitas, dispensáveis, e similares. Capenga é um sinônimo de uma pessoa manca, com alguma dificuldade motora nas pernas. Deformade, que descreve condições estéticas ou anatômicas incomuns (muitas vezes consideradas feias ou indesejáveis), é outro exemplo.

Pra finalizar, temos as fobias. No âmbito psicológico, fobias são quadros clínicos de medo e aversão irracionais e sem uma causa aparente, que geram, entre outras coisas, ataques de pânico e ansiedade nas pessoas. Mundialmente se usam palavras com sufixo -fobia para descrever ações e sentimentos opressives e discriminações. Isso não deixa de ser uma forma de associar ódio e intolerância às neurodivergências, aos estados mentais diversos. O próprio termo homofobia foi cunhado intencionalmente para ser ligado com as fobias clínicas. Alternativas sugeridas incluem os nomes dos sistemas opressivos (heterossexismo, cissexismo, etc) ou substituir o sufixo por –misia.

Posso estar esquecendo alguns termos, mas acredito que até aqui é possível desenvolver um senso crítico sobre o que torna uma palavra capacitista. Na dúvida, recomendo uma busca sobre sua origem e/ou seus sinônimos.

  • Expressões

Existem também algumas expressões que envolvem condições físicas ou mentais para descreverem ou sendo associadas a coisas que não são relacionadas a esses aspectos.

Cegue de [insira emoção/sentimento]. Uma expressão um tanto comum. Mas cegueira é uma condição física, não emocional de qualquer forma. O mesmo vale para louque e qualquer outra palavra mencionada.

Algumas neurodivergências são usadas para descreverem estados emocionais e sentimentos totalmente fora do âmbito clínico. Depressão não se resume a tristeza ou desânimo, muito menos quando são momentânies. Bipolaridade não é apenas uma mudança de humor, ou sentimentos conflituosos/contraditórios com alguma coisa. Ansiedade não é uma expectativa, nem a emoção de estar esperando por um acontecimento. Multiplicidade (antes conhecida como “múltiplas personalidades”) não retrata mudanças súbitas ou rápidas de pensamento, ou conversas internas que podemos ter numa autorreflexão ou introspecção. Narcisismo não define uma pessoa que é apenas vaidosa, convencida, ou que valoriza muito sua imagem. Paranoia não é apenas um estado de suspeita (mesmo que seja exagerada ou infundada). TOC não é apenas a mera preferência por coisas ordenadas ou padronizadas, ou alguns comportamentos aleatórios repetitivos/do cotidiano.

Trauma acabou sendo uma palavra banalizada e usada para definir apenas memórias de situações ruins. Um trauma envolve muito estresse, dificuldade de lidar com um ocorrido, e crises emocionais.

“Virar um hospício” retrata lugares bagunçados, sem ordem, ou também com pessoas estressadas ou irresponsáveis ou similares. Além da péssima associação, hospícios são e sempre foram basicamente prisões e matadouros para pessoas neurodivergentes e aquelas rotuladas como tal para assim serem descartadas do meio social.

Outras expressões acabam caindo em ideias equivocadas ou mesmo em desumanização.

A expressão surde-mude é muito equivocada. Dizer que pessoas surdas são automaticamente mudas é muito incoerente, pois muitas podem desenvolver a oralidade. A ideia de mudez também implica uma ausência de comunicação, e língua de sinais existe pra isso.

Cadeirante ainda é um termo usado por aí. Não é adequado para falar de pessoas que utilizam cadeira de rodas por dois motivos básicos: por reduzir as pessoas a uma cadeira, e porque pessoas com deficiências físicas e motoras podem fazer uso de outros recursos além da cadeira.

Pessoas especiais ou pessoas com necessidades é uma expressão de eufemismo para PCDs e NDs num geral, embora costuma se referir muito a pessoas com dificuldades cognitivas ou motoras. Acaba sendo uma forma de infantilizar esses grupos, e colocá-los como pessoas incapazes (necessitam sempre de ajuda, sem qualquer autonomia).

  • Atitudes

Atitudes capacitistas, além de dizer tudo que foi listado acima, incluem ações mais “evidentes” como estereotipar ou retratar PCDs e NDs como caricaturas, instrumentalizar esses grupos pra defender argumentos e ou falar por eles, e tratar as pessoas como se precisassem sempre de ajuda ou como se fossem menos capazes de tudo.

Outras ações menos evidentes, e que envolvem características ou elementos presentes na vida de PCDs e NDs, incluem:

– fazer piadas com gestos e expressões faciais usades em línguas de sinais;

– zombar de gatilhos alheios ou usar a ideia de gatilho como piada e deboche;

– criticar ou debochar de interesses especiais, hiperfocos, ou assuntos sobre os quais alguém fala muito;

– falar sobre “idade mental”, relacionar coisas a isso, e criticar ou debochar de pessoas por não terem amizades ou contatos;

– exigir das pessoas certas características sociais e emocionais exaltadas como qualidades, como no caso de sociabilidade e empatia;

– exigir das pessoas compreensão total ou imediata de linguagem figurada, informações vagas, coisas subliminares ou sugestivas, e ironias e sarcasmos;

– e exigir das pessoas que falem ou se expressem de determinadas maneiras, geralmente consideradas mais “fáceis” ou “acessíveis” a uma maioria.

Outras coisas incluem “memes” e chacotas usades com frequência, como “ur dur” e imitação de “vozes de gente [insira termo capacitista]”, “probleminha na cabeça”, “tomar remédios/[insira qualquer medicamento psicotrópico]”, “fonte: vozes da minha cabeça”, escrever alternando entre letras maiúsculas e minúsculas, e imagens de pessoas ou personagens com expressões faciais tortas e/ou gestos disformes.

Uma atitude agressiva e estressante com pessoas NDs é quando ficam questionando o diagnóstico delas, perguntando por detalhes como sintomas ou “graus” (que são em si questionáveis), tudo a fim de validar o que são ou acreditar que elas são o que afirmam ser, e ficar comparando com pessoas com o mesmo diagnóstico que parecem “sofrer mais/de verdade”.

A simples falta de acessibilidade, ou o quanto acessibilidade não é considerada para tudo, pode estar aqui também.

Muitas construções e arquiteturas não são planejadas com rampas e/ou recursos táteis. Muitas palestras não pensam na possibilidade de ume tradutore de língua de sinais. Muitos símbolos e caracteres especiais não são lidos em leitores de tela. Emojis são lidos da forma como são escritos, o que pode ser desagradável numa postagem repleta de emojis (ainda mais em sequência). Muitas postagens visuais são feitas sem considerar pessoas com baixa visão e certas neurodivergências – e aqui falo de fonte e tamanho das letras, das cores usadas, e outros detalhes. Muitos vídeos não possuem ao menos uma legenda. Muitas imagens não são descritas; o que, às vezes, é culpa da própria plataforma, mas há meios de contornar isso. Muitos conteúdos não se prestam a colocar avisos de conteúdo/gatilho quando são necessários. Isso tudo são coisas a se pensar.

Tratar acessibilidade como um favor ou um anexo à “normalidade” é puro capacitismo.

  • Conceitos

Existem conceitos problemáticos que envolvem capacitismo e outras opressões, mas que acabaram sendo normalizados pela sociedade como aceitáveis e inquestionáveis, por mais que possam ser subjetivos, por mais que sejam furados ou mesmo obsoletos. Seguem abaixo três grandes exemplos.

  1. Inteligência

Um conceito questionável. Muitas vezes pessoas são consideradas inteligentes por demonstrarem dois aspectos: terem raciocínio lógico rápido e serem bem informadas sobre diversos assuntos. Há teorias sobre possuirmos “tipos de inteligências”, que descrevem bem aptidões relevantes (ter noção de espaço físico, saber identificar frequências de som, fazer autorreflexão, etc).

No entanto, o conceito de inteligência foi fundado numa teoria eugenista de que havia uma raça superior – logo, inteligente; e que o resto era inferior. Por muito tempo também, homens foram representações e portadores da inteligência enquanto dominavam o saber, a academia, e toda produção de conhecimento. E, por fim, considerando o quanto inteligência é medida ou julgada com base em informações ou conhecimentos prévies (e aqui está inclusa a própria alfabetização), é bem evidente que acaba sendo inacessível para determinadas classes socioeconômicas e grupos marginalizados.

Focando agora na subjetividade, a ideia do que seria inteligência está mais para uma construção social que muda de cultura em cultura e de tempos em tempos do que algo concreto, algo universal e atemporal. Muitas pessoas interpretam inteligência de várias formas. Dicionários acabam dando definições variadas, combinando com habilidades comuns a muita gente. Tais habilidades podem ser influenciadas por outros fatores (a falta de sono, uso de medicamentos, etc). Os famosos testes de Q.I., ainda superestimados, são testes muito padronizados que não contemplam muitas pessoas. Enfim, não é um conceito realmente bem construído.

Inteligência é algo constantemente mencionado em discussões sobre ética e direitos de pessoas com deficiência, como se fosse um fator que de alguma determina o valor de alguém numa sociedade. De fato, isso acontece; pessoas consideradas inteligentes são muito valorizadas, colocadas como desejáveis e exemplos a ser seguidos. Tudo isso alimenta um estigma imenso contra pessoas com dificuldades cognitivas, colocando-as como menos capazes de serem “pessoas comuns” pela “falta de inteligência”, como pessoas que sempre dependerão de alguém “mais capaz”, como falhas e fardos na sociedade.

E, além disso, inteligência é até hoje usada como uma prova da superioridade des humanes sobre as demais espécies. Já foi também usada como defesa da integridade de algumas espécies, e também como critério para determinar quais espécies podem ser consideradas “indivíduos” (como macaques e golfinhos).

Está na hora de revermos nossas ideias sobre as capacidades mentais, e talvez formular um conceito que não seja problemático e que englobe devidamente a neurodiversidade.

  1. Psicopatia

Existe uma grande ideia no imaginário coletivo sobre o que seria ume psicopata. O que vem na cabeça costuma ser alguém com tendências assassinas, sádica, misantrópica, isolada, egoísta, e similares.

O termo costuma ser usado para descrever o que seria pessoas com o diagnóstico de “desordem de personalidade antissocial”. Pois é, psicopatia sequer é um diagnóstico ou está incluída em catálogos de saúde mental. Mas o ponto não é esse, e nem quero ficar dando crédito a tais catálogos.

Esse diagnóstico é muito definido pela falta de complacência – a inclinação a concordar com as pessoas e obedecer regras e códigos de conduta. E tal exigência sempre pesou e desfavoreceu muito mais grupos marginalizados pelo próprio sistema, em especial pessoas pobres, racializadas, com deficiência e neurodivergentes. Complacência é muito mais um mecanismo de modelar e controlar os comportamentos a favor de um sistema do que uma qualidade concreta e necessária na vida humana. E é muito fácil rotular pessoas desses grupos com esse e outros diagnósticos.

Tudo isso implica que muitas pessoas são apenas taxadas de “psicopatas” para a conveniência de um sistema que as exclui, e isso não apenas recai naquelus com deficiência ou neurodivergência, mas também em outras camadas sociais também marginalizadas, em situações de desigualdade. É essa carga que traz o termo psicopata do mundo das ideias até o mundo material.

  1. Empatia

Vou começar dizendo que empatia existe e há pessoas que a sentem. O real problema é o quanto associam essa característica como algo inteiramente benéfico e imprescindível para que uma pessoa seja realmente boa, decente, etc. O que é a empatia? É apenas a habilidade de entender e deduzir emoções alheias, resumidamente falando.

O fato de você entender e deduzir emoções não te pré-dispõe a se importar com essas emoções, não te confere a capacidade de amar e gostar de alguém ou algo, e não é algo necessário para compreender conceitos como injustiça e opressão. É bobagem ficar atribuindo preconceito e ódio a coisas inerentemente causadas por falta de empatia, sendo que muitas dessas pessoas vão demonstrar alguma empatia com suas famílias e amizades, e mais quem for considerade “normal” para elas. Empatia pode ser seletiva.

Agora, vamos considerar que existem neurodivergências que afetam a capacidade de ter empatia, como alguns casos de autismo. E que pessoas, por exemplo, sobreviventes de abuso podem desenvolver traumas que também interferem na empatia. Considerando que fatores intrínsecos ou externos podem também definir a capacidade ou não de ter empatia, deveríamos rever nossa concepção disso para não cairmos em pensamentos deterministas de que “algumas pessoas já nascem defeituosas ou más”, algo que não condiz com a realidade e complexidade humana.

E não sentir empatia por alguém não te impede de entender que discriminação pode lhe causar mal, que pessoas sofrem ou sentem dor, nem de comemorar a felicidade de alguém, ou de fazer coisas que façam bem às pessoas. E não é por um acaso que profissões da saúde exigem pouca empatia, ou mesmo que pessoas reprimam a empatia, para assim poder lidar emocionalmente melhor com toda a carga que essas áreas trazem.

Enfim, o que estou dizendo é que a empatia é uma característica relativa, pode ser desenvolvida ou reprimida, e não é em si algo capacitista. O que é capacitista é a ideia social que gira em torno dela, essa noção toda de altruísmo e moralidade que lhe jogam, e que não cabe nela como pensamos ou fantasiamos.

  • Alternativas

Bem, com todas as explicações dadas, acredito que há alternativas que sejam intuitivas ou possíveis de serem pensadas. Mesmo assim, entendo que todas as palavras e expressões mencionadas são usadas para diversas finalidades, até mesmo de forma positiva.

Por isso deixarei logo abaixo listas de algumas palavras de acordo com uma finalidade. Algumas podem ser usadas pra outra finalidade dependendo do contexto.

– Palavras que descrevem coisas ou pessoas em contextos negativos variados: deplorável, escrote, extremista, imature, insensate, insignificante, irresponsável, radical, ridícule, vergonhose.

– Palavras que descrevem coisas ou situações que saem do senso comum: absurde, disparatade, fantástique, imprevisível, imprudente, inacreditável, incomum, incrível, inesperade, mirabolante.

– Palavras que descrevem pessoas com pouco conhecimento ou que não entendem a realidade: alienade, bobe, desinformade, ignorante, néscie, obtuse, simplórie, tole.

– Palavras que descrevem pessoas ou ideias sem sentido ou coerência: confuse, ilógique, incoerente, inconstante, indecise.

– Expressões que descrevem emoções e sentimentos em excesso ou desmedides: perdide (de…), movide (por…), cheie (de…), (…) imensamente/de forma demasiada.

Enfim, creio que coloquei exemplos suficientes. Para mais exemplos, recomendo um dicionário ou pesquisa.

Entendo que muitas dessas coisas acabam sendo ditas ou feitas sem intenção, passam despercebidas, enfim. O que todes nós podemos fazer é nos policiarmos, cortarmos essas palavras e ações do nosso cotidiano, repensar e procurar alternativas. Isso exige esforço e tempo. Capacitismo é muito enraizado, e por isso precisamos refletir sobre a extensão dele e o quanto o praticamos. Incluam as pessoas, excluam o capacitismo.

Links adicionais:

Sobre deslizamentos semânticos e as contribuições das teorias de gênero para uma nova abordagem do conceito de deficiência intelectual

Wikipédia – Oligofrenia (pode conter informações obsoletas)

Medium – “Precisamos falar sobre Capacitismo”

Amplifi.casa – Algumas dicas básicas sobre evitar vocabulário e retórica capacitista

Colorides – capacitismo, lembrete, interesses especiais

Racismo: Por que “mongol” se tornou um termo pejorativo, como sinônimo de Síndrome de Down

Debater misoginia na psicanálise evita ‘má interpretação’ de Freud, dizem psicanalistas

Autistic Hoya – Capacitismo/Linguagem (conteúdo em inglês)

Inteligência é um conceito capacitista (conteúdo em inglês)

ANDES-SN debate capacitismo nas instituições de ensino

Por que o termo ‘psicopata’ é racista e capacitista (conteúdo em inglês)

Empatia é a pior base possível para moralidade (conteúdo em inglês)

Qual a diferença entre empatia, piedade e compaixão (conteúdo em inglês)