Neolinguagem

(Atualização em 26 de maio de 2020)


Aqui explicarei em detalhes sobre como usar a neolinguagem. Em certas partes apresentarei conceitos usados na gramática, como artigo definido e classes de pronomes. Isso pode não ser tão interessante, mas peço que mantenha o foco, pois toda informação aqui é relevante. É uma postagem longa, por isso recomendo que leia com calma e dentro do seu tempo.

O que é?

A neolinguagem é uma proposta de criar e implementar uma alternativa linguística de natureza neutra ou sem associação com gêneros para assim incluir mulheres e pessoas não-binárias/cisdissidentes, assim como também incluir mais possibilidades e opções de linguagens pessoais e de palavras e denominações próprias.

Existem raríssimos registros de postagens na Internet utilizando @ (arroba) antes dessa década (2008 e 2009) para neutralizar palavras. Essa proposta se consolidou mais nessa década, começando com a popularização de palavras neutralizadas com a letra X em páginas e espaços de justiça social ou que ao menos mostravam apoio às pautas identitárias. O X já tinha uma premissa de incluir pessoas não-binárias, embora muita gente nem sabia sobre elas e pensava apenas na inclusão de mulheres. Atualmente a proposta se atualizou e se expandiu, saindo do “nicho” virtual e aparecendo num comercial e até em caixa de suco.

A língua portuguesa, assim como outras, possui em sua estruturação reflexos do patriarcado; o gênero gramatical masculino é usado como neutro ou indefinido e para pluralidade de todos os gêneros. Um exemplo clássico: dois homens são eles, duas mulheres são elas, um homem e uma mulher são eles.

Na sua estruturação também (e isso é característico de línguas latinas) existe um binarismo forte que separa tudo que existe em apenas dois gêneros gramaticais: feminino e masculino.

Não creio que essa medida seja a solução definitiva e nem uma grande solução às questões de misoginia e exorsexismo. Aliás, ninguém está defendendo isso. Ainda assim, prefiro ao menos propor uma alternativa linguística que contemple dois grupos marginalizados dentro do próprio idioma do que não fazer nada e ignorar que a língua também pode ser um instrumento de opressão.

Considerando que o objetivo principal de uma língua é a comunicação, devemos nos preocupar com questões de exclusão e desigualdade; pois idiomas não estão acima das pessoas e não existimos em função deles. E também com questões éticas, pois existe um vácuo entre nossa língua e línguas com pronomes gramaticalmente neutros; e tal vácuo deveria ser preenchido com uma proposta que vise respeitar a individualidade daquelus que usam pra si pronomes gramaticalmente neutros.

Fazendo uma grande ressalva antes de prosseguir: a proposta foi feita pensando em pessoas. Não há intenção de alterar os gêneros gramaticais já definidos de coisas e objetos. A mesa continua sendo a mesa, o som continua sendo o som, e assim por diante. Porém, a proposta se estenderá coerentemente para seres não-humanos diferenciados por sexo/gênero pela mesma lógica aplicada aes humanes, e para coisas e objetos somente em circunstâncias em que as normas gramaticais de gênero também lhe são aplicadas.

Essa proposta não é perfeita e ainda está em construção. Há muitas nuances que precisam ser discutidas. Portanto, informações aqui podem mudar ou ser atualizadas em algum momento. Pessoas dispostas a ajudar e com ideias que acrescentem são sempre bem-vindas. A neolinguagem não é monopólio de ninguém e todes podem contribuir, especialmente com palavras novas.

Linguagem Neutra ou Linguagem Não-binária?

Não é coerente ou adequado chamar neolinguagem apenas de “linguagem neutra” ou “linguagem não-binária” (vocês podem encontrar algumas pessoas e fontes chamando neolinguagem dessas formas). Isso porque:

A) a proposta não é apenas criar uma alternativa gramatical neutra, mas também incluir outras linguagens e possibilidades, como vários pronomes. Mesmo havendo a proposta de um pronome neutro universal, não há qualquer intenção de impor apenas três gêneros gramaticais a todas as pessoas. Além disso, dizer só “linguagem neutra” é vago e pode se referir à sintaxe neutra ou outra proposta de linguagem “inclusiva”.

B) a proposta não diz respeito apenas a pessoas não-binárias, mas também a mulheres. E chamar a nova linguagem de não-binária passa a ideia de que só pessoas não-binárias podem acessá-la, sendo que qualquer pessoa pode adotar a linguagem que quiser (nada impede homens e mulheres de usarem pronome elu, por exemplo).

É até compreensível usar tais definições para facilitar a explicação para pessoas mais leigas. Mas é sempre importante divulgar termos mais precisos. Faz parte do processo de educação.

Feminino Universal

Há pessoas que propõem o uso do “Feminino Universal” como uma linguagem fora da norma. Então, em vez de usar o gênero gramatical masculino como neutro, usaria-se o feminino; um grupo de homens e mulheres seria referido como elas, por exemplo.

Proposta válida como um ataque ao patriarcado e uma crítica à estruturação atual da língua portuguesa. Mas não engloba pessoas não-binárias que não utilizam o conjunto de linguagem a/ela/a. E não resolve o problema da estrutura binária da língua que limita as possibilidades de pronomes, flexões, marcadores de gênero, etc.

Sintaxe neutra

Existe a possibilidade de uma linguagem mais inclusiva dentro da própria língua padrão. Eu prefiro chamar essa via de sintaxe neutra. Através dela formamos enunciados que não denotem o gênero de alguém (pelo menos não de uma forma exorsexista), ou que utilizem palavras mais inclusivas e abrangentes que contornem a norma de usar o gênero masculino como padrão/geral (pessoa, indivíduo, juventude, corpo docente, etc).

Ainda há desconhecimento sobre isso, mesmo que as pessoas usem ocasionalmente a sintaxe neutra sem perceber. Linguagem neutra é um termo vago. Dentro da norma, o gênero gramatical masculino é usado como neutro. Há pessoas que usam ambos gêneros gramaticais numa tentativa (falha) de serem inclusivas (eles/elas, todas e todos, menino/as). Por isso é importante explicar melhor sobre a sintaxe neutra.

Porém, de maneira alguma a sintaxe neutra deve ser usada para desconsiderar a neolinguagem! Apenas ela não resolve nem todo o problema gerado pela limitação da estrutura binária e continua impossibilitando a existência de mais opções de linguagem. É muita ingenuidade ou puro descaso achar que pessoas que não desejam nem o/ele/o ou a/ela/a devem optar em não ter pronomes ou flexões, e se conformar com enunciados sempre elaborados de forma neutra.

A sintaxe neutra ainda é bem válida e incentivo muito seu uso também. Inclusive a utilizo junto com a neolinguagem. E pensando em pessoas que usam o conjunto de linguagem -/-/-, (ou seja, sem nenhum elemento de linguagem) ela se torna a opção de linguagem dessas pessoas. Estudar e praticar a sintaxe neutra é importante e deixo um manual sobre ela aqui.

Sistema APF

Antes de tudo devo creditar Aster, administradore do site Orientando, por ter elaborado esse modelo de linguagem considerando os aspectos linguísticos do português.

Os conjuntos de linguagem, tanto individuais quanto o universal, serão descritos seguindo o que podemos chamar de sistema APF; que significa artigo, pronome e flexão (ou final de palavra). Esses são os três elementos principais de uma linguagem.

Artigo: falando do artigo definido, como assim é chamado gramaticalmente, é o elemento que vem antes de um nome ou substantivo/adjetivo. Exemplos: o João, a menina. Os artigos definidos impostos pela língua padrão são o e a.

Pronome: falando de pronome pessoal reto da terceira pessoa, como assim é classificado, é a palavra usada para se referir a alguém ou algo sem repetir nomes ou denominações. Exemplo: “Mario estava andando na rua, até que ele parou para descansar”. Os pronomes pessoais impostos pela língua padrão são ele e ela.

— A partir dos pronomes pessoais se formam contrações e alguns pronomes demonstrativos. As contrações com as preposições de e em formam, respectivamente; dele, dela e nele, nela. E os pronomes demonstrativos são aquele e aquela (e possuem as mesmas contrações).

Flexão: é o final de toda palavra – substantivos e adjetivos – que denota um gênero. A língua padrão impõe apenas duas flexões, “masculina” e “feminina”. Na maioria das palavras são as flexões –o e –a (exemplos: menino e menina, lindo e linda), mas há outras flexões binárias, como nos casos de professor, professora e presidente, presidenta.

Fazendo um adendo sobre os pronomes pessoais oblíquos átonos – me, te, se, o, a, lhe etc –, os pronomes o(s) e a(s) nesse caso seguem a mesma lógica de flexões. E verbos terminados em -r, -s e -z, quando flexionados com –lo e –la (que são derivados dos pronomes pessoais), também seguem essa mesma a lógica. Mesma coisa com –no e –na, que acompanham verbos conjugados que terminam em som nasal (viram, tem, etc).

Resumindo, os conjuntos validados pela língua padrão são o/ele/o e a/ela/a, que são impostos como linguagem masculina/de homem e linguagem feminina/de mulher e de acordo com o gênero designado (ou fenótipo sexual cientificamente falando). Junto com esses conjuntos vêm uma série de marcadores de gênero correspondentes.

Socialmente, no cotidiano, muitas pessoas pressupõem as linguagens alheias pelo “sexo” que identificam ou pela aparência (que separam em masculina ou feminina). Ou seja, são atitudes que perpetuam cissexismo num geral e essencialmente o exorsexismo.

No inglês só existem pronomes e alguns títulos. Pessoas não usam artigos definidos e não existem flexões. Por isso as pessoas descrevem seus conjuntos de linguagem como he/him, she/her/hers, etc. Muitas pessoas trans e não-binárias do Brasil (e talvez outros países lusófonos) fazem uma tradução literal disso, colocando como conjuntos ele/dele, ela/dela, elu/delu etc. Na nossa língua isso se torna redundante e desnecessário, pois toda contração de pronome pessoal com de é d + (pronome). O sistema APF é mais específico e adequado, por desconstruir a ideia de que os pronomes ele e ela possuem artigo e flexão pré-determinades e óbvies, e por ampliar possibilidades de linguagens pessoais.

Outro ponto importante e que ainda é recorrente nas comunidades trans e não-binária é categorizar todos os conjuntos de linguagem em masculinos, femininos ou neutros. Em consideração às pessoas não-binárias é mais adequado não ficar classificando os conjuntos da língua padrão de masculino ou feminino, e nem chamar todos os conjuntos de neolinguagem de neutros. Conjuntos de linguagem são conjuntos de linguagem. Isso parte do mesmo princípio de desconstruir que existem objetos e roupas para homens ou mulheres, assim como que existem sexos masculino e feminino. Sem contar que essas classificações perdem o sentido com conjuntos que misturam elementos da língua padrão e neologismos, como a/ila/a ou -/ele/e.

Falando no inglês e demais línguas que incluem uma terceira opção ou opção neutra de linguagem, o conjunto e/elu/e será adotado sempre como adaptação dessas opções. Por exemplo, se eu for me referir a uma pessoa de um país anglófono que usa pronomes they/them/theirs, utilizarei esse conjunto para ela. Usarei esse mesmo conjunto para pessoas de um idioma com apenas um pronome/uma opção de linguagem pessoal.

Também tenho uma tradução oficial para pessoas que usam it/it/its: i/ilo/i.

Traduções de neopronomes – ze, ve, ey, etc – ainda estão em discussão.

As linguagens o/ele/o e a/ela/a

Essas duas linguagens possuem uma carga social forte e pesada de serem associadas aos gêneros binários. Não são apenas gêneros restritos ao âmbito da gramática sem qualquer influência na realidade social. Elas são impostas às pessoas pelo sexo designado, junto com o gênero. Nem os animais são poupados disso. E por essa razão muitas pessoas não-binárias sentem desconfortos e até disforias pelo tratamento social. Propor mais que essas opções de linguagem é uma forma de tentar amenizar essas questões.

Mesmo assim, muitas pessoas não-binárias acabam optando por um ou ambos conjuntos padrão, mesmo que tenham identidades de gênero nada relacionadas aos gêneros binários. Pode ser por motivos pessoais, por conveniência, ou até por desconhecimento da neolinguagem. Há pessoas não-binárias que a conhecem e ainda mantém suas escolhas, ou por preferência, ou mesmo por serem contra a neolinguagem.

Também há pessoas que tentam utilizar mais a sintaxe neutra para si, assim tentando se afastar das cargas sociais da língua padrão e sem necessitar na neolinguagem.

Ainda é possível que se use as linguagens padrão de uma maneira “neutra”. Como a norma usa o gênero gramatical masculino como neutro, teoricamente, o conjunto o/ele/o pode ser neutro por si só. E tem gente que associa o conjunto a/ela/a com a palavra pessoa, assim mantendo todas as frases em sintonia com o gênero gramatical da palavra; uma solução muito próxima da sintaxe neutra.

Junto com a proposta da neolinguagem vem uma filosofia queer de se reapropriar de toda imposição de gênero; e isso inclui as linguagens. Em outras palavras, aqui se defende que todes usem a linguagem que quiser. Sim, aqui se defende que homens usem a/ela/a e mulheres usem o/ele/o (e isso já é realidade há muito tempo), ou que usem ambas as linguagens, e/ou que usem conjuntos de neolinguagem.

Quantos conjuntos de linguagem podem existir?

Teoricamente, incontáveis. Teoricamente, tudo pode ser artigo, pronome e flexão. Portanto, não apenas os elementos, mas as combinações entre eles abrem infinitas possibilidades. Mesmo assim não creio que, na prática, haverá tantas pessoas usando dezenas de conjuntos.

As pessoas devem ter em mente a comunicação, as modificações consequentes dependendo da escolha de pronome e flexão, e de possíveis limitações de um conjunto.

Escolher o pronome ilu implica no uso das variações dilu e aquilu. Então é uma escolha viável. No entanto isso seria complicado se alguém escolhesse, por exemplo, loi como pronome (dloi, aquloi).

Escolher como flexão elementos que sejam vogais, ou sílabas que comecem com vogais, ou consoantes lidas como vogais facilita a mudança de gênero no final das palavras. Isso se torna inviável se alguém quiser, por exemplo, ba como flexão (meninba, lindba).

E lembrando que a linguagem pessoal não se resume aos conjuntos! Também há outros elementos, como os pronomes demonstrativos e outros marcadores de gênero preferíveis. O sistema APF é ainda uma simplificação. Para descrever tudo que você usa ou prefere, bem, uma descrição completa é a solução, mesmo que seja longa.

Não é difícil encontrar textos e pessoas que falam contra o uso de X ou @ (arroba). Sim, há conjuntos de linguagem mais viáveis e aceitáveis como neutro universal; pois essas duas opções não têm pronúncia evidente, não são reconhecidas em leitores de tela, atrapalham a leitura de pessoas disléxicas, e não promovem uma real mudança estrutural na língua (pois se limitam à parte escrita). Muites usaram arroba com a intenção de parecer as vogais o e a ao mesmo tempo (o que não é nada inclusivo).

No entanto, não deveria ser proibido alguém usar pessoalmente conjuntos com esses elementos. A pessoa precisa ter em mente a questão da inclusão e guardar esses conjuntos para espaços virtuais mais restritos. O mesmo vale para aquelus que utilizam emojis e outros símbolos como linguagens.

Por fim, algumas dicas de descrição de conjuntos de linguagem:

  • Se você não usa nada em algum elemento do conjunto, descreva usando – (traço).
  • Se você usa ou aceita qualquer possibilidade de algum elemento, descreva usando alguma abreviação de qualquer – q, qlq, etc – em parênteses, ou colchetes, ou chaves.
  • Se você usa mais de um conjunto, mas só há algumas mudanças entre um ou mais elementos, descreva usando parênteses ou colchetes e dentro deles o que você usa. Exemplos: (o, a)/(ele, ela)/(o, a); [-/(elu, éli, elz)/e].

Manual de instruções

O conjunto universal que adoto para criar uma linguagem neutra/sem associação de gênero é e/elu/e. Junto com o conjunto virão modificações que seguem lógicas dentro das próprias estruturas da língua portuguesa e neologismos, para assim criar uma linguagem consistente e compreensível. Todas as alterações foram pensadas considerando todos os aspectos principais da língua, como escrita, pronúncia, etc. E, também, serão empregadas palavras novas como alternativas para os vocábulos heterônimos (como pai e mãe).

Utilizo esse conjunto por ser o mais usado pela Internet; e, aparentemente, será o sistema mais usado no futuro, talvez sendo oficializado. O pronome elu existe há muito tempo. A flexão -e é reconhecível (há palavras terminadas em e na língua padrão) e pronunciável.

E, apesar de muites protestarem, farei uso do artigo definido e pelos seguintes motivos: a) para combinar com a nova flexão proposta; b) por ser a única vogal que pode servir como neutra sem parecer “estranha” (a vogal i como flexão é muito incomum, além de que e terá som de i em muitas situações); e c) quero insistir na ideia de normalizar seu uso como artigo além de ser uma conjunção aditiva, afinal temos outras palavras com mais de uma função na nossa língua (a é artigo, preposição e pronome oblíquo átono).

Pode haver outras pessoas e fontes que usem outros sistemas; por exemplo, artigo le e pronome ile. Elas não estão erradas. Nenhum sistema de neolinguagem está errado. Mas aqui manterei o conjunto que falei.

Obs: embora aqui nesse sistema e/elu/e seja um conjunto neutro, pessoas que usam esse conjunto para si podem querer usá-lo por outros motivos e nem considerá-lo um conjunto neutro. Portanto, recomendo que não fique resumindo esse conjunto a “sempre neutro”.

1- Começando pelo próprio conjunto, e/elu/e:

E será usado como artigo neutro ao lado de o e a.

– O pronome elu (e suas variações) será usado para situações em que:

— elementos de gêneros gramaticais diferentes estão juntos.

— o gênero ou conjunto de linguagem de alguém não é conhecido.

— há pessoas de diferentes pronomes juntas (ele e ela, ela e ile, elu e ilo, etc). Aqui só há exceção quando os pronomes das pessoas são os mesmos.

– Palavras flexionadas com –o e –a (e outras variações) serão também flexionadas com –e, trazendo ou não possíveis mudanças estruturais de acordo com a gramática tradicional.

— Isso valerá também para as formas derivadas dos pronomes pessoais explicadas anteriormente: pronome oblíquo e, flexões de verbo –le e –ne.

2- Sobre as modificações possíveis:

– Quando numa frase há dois ou mais elementos de gêneros gramaticais diferentes, serão referidos com a flexão –e e neologismos desse sistema.

Exemplos: “muites sites e pessoas usam esse termo”, “minha mesa e meu armário foram comprades na mesma loja”, “sues livros e canetas estão largades na cama”.

– Palavras terminadas em -go e -ga terão como alternativa –gue. Exemplos: amigue, psicólogue.

– Palavras terminadas em -co e -ca terão como alternativa –que. Exemplos: médique, simpátique.

– Palavras terminadas em -ão e -ã terão como alternativa –ane. Exemplos: irmane, guardiane.

– Palavras terminadas em -ão e -oa terão como alternativa –one. Exemplos: leone, patrone.

– Palavras terminadas em -eo e -ea terão como alternativa –ie. Exemplos: gêmie, idônie.

– Palavras terminadas no plural em -es e -as terão como alternativa –ies. Exemplos: trabalhadories, chinesies.

– Palavras terminadas em -e e -a terão como alternativa –ie, e o plural também será –ies. Exemplos: presidentie, parenties.

– Palavras terminadas em -eu e -eia terão como alternativa –ei. Exemplos: atei, europei.

– Palavras com terminações variadas e -esa/-essa/-isa terão como alternativa –ixe. Exemplos: sacerdotixe, duquixe.

3- Sobre os neologismos propostos:

– Para as palavras terminadas em -dor e -triz a alternativa será –ter. Exemplos: imperater, embaixateres.

– Para os pronomes possessivos seu, sua e teu, tua as alternativas serão sue e tue.

– Para os pronomes possessivos meu e minha a alternativa será mi.

– Para os pronomes demonstrativos este, esta e esse, essa as alternativas serão estu e essu.

– Para os numerais dois e duas a alternativa será dues.

– Para as palavras bom, boa e mau, má as alternativas serão bone e male.

– Para as palavras pai e mãe, a alternativa preferencial minha será faê. Para avô e avó, minha alternativa será avu.

– Para as palavras paternidade e maternidade, a alternativa será naternidade.

Obs: aqui não estão todos os neologismos possíveis e já formulados. Para uma lista maior, clique aqui.

Ressaltando que essas são as regras adotadas pelo sistema daqui do blogue. Outres lugares e pessoas podem usar minhe em vez de mi, su em vez de sue, boe em vez de bone, essie em vez de essu, etc. E, além disso, as linguagens pessoais devem ser respeitadas sempre; isso inclui as preferências por palavras e modificações!

Enfim, acredito que aqui está tudo que precisava ser falado sobre os princípios e conceitos da neolinguagem. Haverá mais conteúdo posteriormente desenvolvendo mais sobre o tema.

Dúvidas? Pergunte.

Links adicionais:

Orientando – O que é neolinguagem

Medium Ophelia Cassiano – Guia para “Linguagem Neutra” (PT-BR)

Medium T. – Em defesa de uma multiplicidade de pronomes

Medium T. – Como criar um pronome?

Tumblr Exorsexismo – porque separar linguagem entre “masculina”, “feminina” e “neutra” não é legal

Ume Garote Alternative – Em defesa da neolinguagem

Medium TODXS – Neolinguagem: um futuro inclusivo e contra o cistema

Amplifi.casa – Como exemplificar seu conjunto de linguagem

Amplifi.casa – Artigo, pronome, final de palavra

Amplifi.casa – Motivos para não usar “pronome/d[pronome]” como indicação de conjuntos de linguagem

Revista Movimento – O papel e a função da linguagem não binária ou neutral no contexto das redes online (contém algumas concepções equivocadas/reducionistas do tema e linguagem problemática [cissexista e exorsexista])

Wiki Identidades – Linguagem não-binária ou neutra (tem muita coisa obsoleta)

Medium Vitor Rubião Vieira – Manual sobre a linguagem de pessoas não-binárias em mídias traduzidas

Medium Vitor Rubião Vieira – Adaptação de pronomes usando neolinguagem